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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

                             Também tenho um Pelé

Como esquecer a carinha de olhar esperto, de risada larga e engraçada? Com dom de rir de si próprio. E a gente ria da risada dele. Não sei dizer se tinha oito ou dez anos quando entrou na minha vida.
Quando me dei conta, Pelé estava trocando um pneu do meu fusca 67 (cansadinho) que bem mais tarde ele mesmo confessou haver furado porque precisava achar uma forma de se destacar dentre todos que recebiam a sopa das crianças na AMEM, casa espírita, que eu fazia parte.
 Fiquei logo encantada com o jeito do moleque de me ajudar.
Alguns dias mais e ele já estava morando lá em casa. Foi um longo tempo de ir e vir. Nada sabia ou dizia da família. Fazia a gente crer que nascera de um repolho. Não gostava de escola. Queria ler sem precisar escrever. Tinha medo de polícia. Gostava de andar de carro. De andar bem vestido. De imitar os personagens de Chico Anísio, Pantaleão era seu predileto. Olhos ávidos e maduros.
Pelé teve seu reinado em minha casa interrompido pela primeira vez quando Polaco resolveu que era hora de viver de novo a meu lado, de deixar Santa Rosa, a casa da mãe, os amigos, as aventuras de guri gaúcho. É claro que foi luta  justa e injusta também, com direito a muitas trapaças de ambos os lados! Cresciam disputando qualquer coisa.  Só pararam de brigar entre eles quando a Ana nasceu.  Então havia o divisor das águas... Antes e depois da Ana.
Nesse ir e vir sem fim sua vida ficou atrelada a minha porque já estava escrito que seria assim. Assim foi que meu coração quase rebentou de emoção quando soube que sua filha teria o mesmo nome meu! 
                   

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