Abro com cuidado a janela do tempo em busca de meus afetos e vejo sentada no degrau da soleira da porta uma garotinha de cabelos e olhos cor de mel brincando com os saquinhos de cinco marias... Olha pra mim e ri e todo o rosto ri também. O riso vem solto e leve como uma cascata cristalina. Mostra os dentes todos feito um teclado de piano.
Tininha era assim chamada. Sensibilidade sempre à flor da pele. Bastava ouvir a música “mãezinha do céu” que o pranto corria solto! Soluçava. Seu queixo tremia e seu coração doía também ouvindo “noite feliz”
Foi criando um mundo todo seu. Era mundo arejado. Cabia todo tipo de afetos. Afetos de gente grande. De gente pequena que queria ser grande.
Na casa da vó tinha lugares preferidos, escondirijos e casinha de verdade! O escondirijo era compartilhado com a vovó; embaixo da cama guardava segredos... Lá também servia pra comer doces... As bolas amanteigadas roubadas de cima das cucas de natal!
Foi crescendo e levando consigo o que tinha de melhor: sua alma, seu sorriso, sua sensibilidade, seu choro, sua amizade.
Como era filha do Planalto, desde cedo viveu em muitas cidades e conheceu muitos mundos diferentes. Um dia chegou a Maringá!
Era hora e vez de Tininha virar Cris!!
Lançou ancoras e começou escrever sua historia! Historia de mulher, de mãe, de filha, de amiga...
A mulher tratou logo de trabalhar, casar e voltar aos estudos.
A mãe que morava dentro dela surpreendeu a todos. De um carinho e dedicação sem medidas. Puro amor!
O puro amor exercitado na condição mais plena de mulher/mãe lhe serviu na hora oportuna, quando pai precisou contar com ela em todos os momentos até a hora da partida para outra margem da vida...
Só posso desejar que ela possa soprar ao vento seus sonhos para que eles voltem em forma de realidade! Vai fundo Cris! Nunca deixe que nenhuma dor te impeça de sonhar, de amar, de chorar e depois dar boas gargalhadas!
Como o dia que nasce todas as manhãs, mostra as Auroras que moram aí dentro!!


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