Que maravilha de encontro! Foi preciso
correr riscos diferentes e agora nos encontrarmos outra vez para matar a
saudade, dar longos abraços, muitas risadas e comparar o rumo das nossas prosas
e vidas...
Bem antes foi o nosso primeiro
encontro: nos bancos da UEM.... Quando a UEM era só uma faculdade funcionando
no colégio Marista. Fomos pioneiras no campus. Havia somente dois blocos semi
acabados no meio do nada e a gente tava lá! Estudando pra valer e morrendo de
vergonha de professores feito Maria Célia, de lingüística, professora linda e
competente que sabia muito e sabia também ENSINAR! A gente tinha vergonha de
escrever e de falar e ela dizia pra ir
em frente,que não havia nada de errado. Que era assim mesmo: de tanto escrever,
falar e ler é que a vergonha ia embora! .. A gente tinha o sangue jorrando no
peito com a força de lutas e desafios da dos anos setenta que chegavam tão rápidos como nossos sonhos.
Confesso que o que mais
me encantou lá na casa de Salete não foi a constatação de que nascemos,crescemos , depois
envelhecemos...sem contar que também encolhemos!!. Mas sim o profundo bem estar que sentimos ao
nos olhar com olhos amorosos, buscando mais as semelhanças e a certeza que não
tínhamos nos tornado velhinhas mal humoradas e tampouco com síndrome de
“barbiessaouro”. Todas com formas de mulheres felizes e já com o medo da
velhice perfeitamente aquietado! Nós já estávamos aprendendo a criar um novo
pensamento para a vida de agora. Vovós corujas e exibicionistas. Prontas pra
subir escadas só com subidas certas que o melhor de tudo é saber hoje atingir o
topo e que isso não é só pra alguns felizardos! Estávamos menos hostis, menos estressadas,
menos ansiosas. E nossa tendência era com muita naturalidade ver mais as
semelhanças do que as diferenças. Uma tremenda sensação de bem-estar. Olhando para nós, de dentro pra fora dava pra
perceber que éramos as mesmas. Picasso disse
uma vez: "Leva um longo tempo para se tornar jovem”. Lembramos dos degraus que subíamos. Saltando às vezes, de dois em dois... Era
natural a sensação que muitas coisas ficaram sem conclusão. Ficamos colecionando ressentimentos tão
banais! Ficamos com uma sensação de inacabadas. Daí o fantástico do nosso encontro
: a descoberta que muitas coisas que
pensávamos sobre nós mesmas não tinham nada a ver conosco.Pois hoje somos
capazes de voltar no tempo e perdoar a nós mesmas e mudar nossa relação com o passado deixando-o
mais fácil e amoroso.Sabemos agora que éramos responsáveis por todas as nossas escolhas. Éramos livres para escolher! Na
verdade, o que determinou a qualidade de nossas vidas foi a forma como nos
relacionávamos com nossa realidade. É como reajustar o termostato.
Depois de uma viagem aos prazeres da gula tão
bem saciados e proporcionados por
Amélia, mulher de verdade, começamos redefinir a nós mesmas como mais completas e podendo inclusive , deixar aos
nossos filhos e netos essa vontade de
repensar sobre as expectativas de suas vidas com mais leveza do que nossos pais.
Valeu! Amigas queridas,obrigada pelos bons momentos.
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