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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Que esse tempo vai passar...


               Uma cena em uma das enfermarias do hospital Laureano  foi aos poucos tomando conta de todos meus pensamentos. Mãe e filha de mãos dadas aguardavam a hora de cirurgia.   Nenhum remédio, nenhuma palavra podia ser maior que o encontro dos olhos de Mayara e Maria José...  Lágrimas  que corriam mansas em suas faces e a seguir, rindo elas cantavam conosco as músicas que costumamos levar aos nossos queridos todas  quintas feiras, pela manhã.
                Uma onda de luz prateada enchia o quarto... De repente, senti um desejo intenso de beijar a cabeça da filha... Em seguida, coloquei uma mão sobre a cabeça da mãe, Maria José,e quando olhei pra minha mão, assim tão quieta, vi outra mão que deslizava sobre a minha. Era uma mão gordinha, macia e bem familiar... Era a mão de minha, Aurora, que estava me ensinando como fazer carinhos quentes! Era minha vez de deixar as lágrimas rolarem soltas.
                Engraçado... Quando ficamos mais velhos, as lágrimas nos fazem companhia com mais freqüência... Lembro que, às vezes, me incomodava o tanto que a mãe chorava.. O tanto que seus olhos ficavam marejados assim quase do nada... Chorava com noticia boa. Chorava quando ficava triste, quando se comovia com uma cena de novela. A dualidade que encontrava em Aurora era tanta, que em fração de segundos passava das lagrimas ao riso. Sempre era um riso bom. Risada com os olhos azuis e acinzentados: a cor cinza, eu penso que era origem das lágrimas constantes que turvavam o olhar azul: assim como a chuva faz com a água do mar...   
              Na verdade, quero chegar a um tempo mais longe. Um tempo que chorar não era bom. Era feio. Quando alguém chorava, logo vinha a frase: não chora não! Já vai passar... Vivi nesse tempo e vivo agora num novo tempo. O tempo que chorar faz bem. Chorar lava a alma da gente. Chorar é também um jeito de se conectar com o divino que há dentro de nós. É um jeito de segurar na mão de Deus e acreditar que tudo vai passar sim!
             Por isso, todas as vezes que vejo alguém chorando vou logo abraçando , fazendo carinho com essa mão que está ficando cada dia mais gordinha...  E, aqui dentro, vou dizendo; chora, chora... chora e confia que Deus está aqui e é  ELE é MÃE também!!!  

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Quem te viu e quem te vê...



Ontem, no Skipe, Ana Julia me perguntou o que eu ia fazer no carnaval. Respondi que pretendo assistir a uma palestra de um psicólogo, grande amigo meu, de Campina Grande e também assistir ao filme irmão Sol e irmã Lua (a vida de Francisco de Assis) com um grupo de amigos e depois curtir um bom papo com eles. Então, mais que depressa ela me respondeu:
-quem te viu e que te vê,,heim dona Rejis...vai passar o carnaval com os seus amiguinhos do além... Rimos as risadas “aahahahahhh, rssss e  kkkkk”
Foi então que minha memória voltou e fez uma ponte com o passado... Remexi nos meus escritos e encontrei as memórias dos carnavais vividos na Bahia.  
 Que bom que guardei na palavra e na lembrança  o que vivi na quele bom tempo! Tempo que podia dizer que na Bahia o carnaval era diferente. Que em quatro dias a vida era diferente. A gente era diferente. A mortalha ou abadá era a única moda válida pra homem, mulher, criança, rico, pobre. Todo mundo sambando na avenida. Não havia luxo.
Havia povo brincando. Blocos colorindo a avenida, trio elétrico subindo e descendo. Som de arrebentar os tímpanos, luzes piscando, girando. Povo correndo atrás. Gente sambando nas calçadas, nas barracas, nas mesas, nas sacadas. Tudo na cidade se transformava! A cidade era do povo. A única festa do povo que conheci!
Na quarta feira de cinzas, como os baianos, também eu ficava com o corpo doído, pés lanhados, cortados de cacos de garrafas, bexigas de água, roxos de pisadas... Doíam mais com a nostalgia!!
Naquele carnaval me acabei na avenida, no salão. Corri atrás do trio elétrico, larguei as sandálias na avenida. Me embebedei de cerveja, subi ladeira  debaixo de chuva, me perdi na multidão, fui pisada, acotovelada, empurrei, pisei e acotovelei na alucinação do trio elétrico.
À noite sambei descalça na chuva encharcada até os ossos, toró caindo e a gente lá, todo mundo sambando. Era carnaval.  O samba não podia parar, a gente não podia parar até quando houvesse um alento.
Depois olhava pros colares no chão, restos de estrelinhas de botar na cara, a roupa imunda, fedida, meus pés feridos e me dava um nó na garganta.
Talvez isso nunca faça sentido pra quem nunca correu atrás de um trio elétrico, nunca tenha sambado debaixo de chuva, descalça na avenida, mas Zezé me sabia bem!      Contava pra ela que o samba enredo do bloco era feito e ensaiado em barracos forrados de plástico preto de lona de caminhão.
Que nas paredes havia faixas de um tecido sujo dizendo qualquer coisa assim; “pra vereador vote em Marcelo Leite”. Desenhos de frutas tão distantes das mesas do povo. O surdo marcava o compasso. A gente ria uma alegria só nossa. Éramos todos operários, conhecíamos oito horas de trabalho por dia. E se a nossa comida era cada dia mais difícil de ser comprada, ainda restava a cachaça que conseguíamos comprar e o samba que podíamos fazer porque nascia espontâneo.
 Todo mundo sabia bem o que era um crime e o que era uma festa! Como se fazia um e outra. Era fácil dividir nosso copo com quem sorria pra gente, como era fácil agredir quem atacava!
 Gente conhecida enchia meu copo, ria do meu samba desajeitado. Me ensinava a sambar direito.
 Chegava em casa o dia rompendo o cerco das nuvens e pintando de azul claro uma nesguinha  de céu e eu dormia com os pés negros do lodo já ressecado entrando na pele.
Pois é, a Bahia era um monte de coisas ao mesmo tempo.
Que bom que curti tudo e tanto assim!
Meus amigos queridos, que vcs tenham todos um belo tempo de carnaval. Sejam muito felizes neste carnaval, porque ser feliz é fundamental!!!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mercedita, Mercedita!



                   Não podia existir melhor lugar pra comemorar  os anos de vida dessa mulher!!!!!! Quem tinha olhos de ver, esbarrou com “CIDO” que também festejava o grande encontro da  família  LOPES, tão bamba por natureza e por vontade!                                                                                                                                                              Mercedes, como sempre, chegou mais cedo  na Casa de bamba.faceira,regateira, tão espanhola, tão de cabelo nas ventas e tudo o mais!   Toda emoção! Sem óculos foi logo chegando e sentando bem lá no fundo, nesse dia não seguiu seu costume ; não passou  revista nas tropas! Ficou lá sentada e toda prosa! Claro que esperava uma noite muito especial pois estava ao lado do filho que veio de  MIAMI  e que não fez como a Luiza,que mora no Canadá!
                      Quando chamada para dentro da roda de samba entrou logo dançando! Mas naquela noite não era uma dança qqr! Era muito mais que a dança da vassoura que tão  bem conhecemos... Mercedes começou sua dança passando pelos braços de seus seis filhos queridos... Um a um foram revezando e abrindo passagem para novas emoções!   Nesta ciranda de emoções foram se achegando um a um,todos irmãos, filhos, netos, sobrinhos, noras, genros, amigos, que  carregando o coração na mão, vieram  ofertá-lo para  Mercedita, mulher tão singular... Pensando bem ela é tão singular e Tb tão  plural!!!
Seus olhos pulavam pelo ar como um passarinho de galho em galho , o abraço dela era apertado como quê!
               Na cara,no veludo escondido entre as rugas trazia também a marca  de uma vida vivida com força!   
           É claro que como toda família, a de Mercedes também tem suas diferenças, no futebol, na política e na religião. Há, contudo, um campo em que rola a mais perfeita harmonia. É no mundo da música! Os festejos e comemorações sempre têm um lugar específico para canto, dança e batuque. Todo mundo nessa casa sabe fazer alguma coisa relacionada à música. Um mundo canta, outro mundo dança e toca!  Com uma família assim, posso afirmar, com muito orgulho que fui feliz quando lá atrás sugeri, inspirada na música de  Martinho da Vila, “na nossa casa, todo mundo é bamba”,a  criação de um espaço com o nome de  CASA DE BAMBA,porque na casa de bamba é assim.... Nada mais natural, portanto, que homenagear a dona de oitenta e muitos anos com algumas canções que contam uma história tão intensa:  

               Mercedes, a quinta filha de Francisco Serveira Carpena e Tereza Del Cid Castanheda nasceu aos 22 de janeiro de 1928, em Jaú-SP.  Mas sua história começa antes. Por isso, vamos retornar, volver à Espanha, terra de seus pais.
               Quando Bruna, com a voz carregada de emoção cantou “volver a los desessete “Mercedes viajou num tempo com asas que a levou da Espanha até o interior de São Paulo, onde nasceu e até o início da década de 50. Lá onde a sua juventude foi marcada por muito trabalho e muitos bailes.

               A família cantando “o baile da saudade” num flashback ...trouxe os anos 50, Quando a família Serveira Delci deixando o estado de São Paulo, veio fixar moradia no noroeste do Paraná (primeiro Ourizona, depois Mandaguaçu). Essa mudança para uma terra em que havia tudo por fazer foi dolorosa, motivo de muitas lágrimas. Amigos, namorados, baladas, agora só existiam nas lembranças. Em Mandaguaçu, a jovem MERCEDES buscou afogar suas mágoas na costura, em um quartinho de frente para a rua, no Hotel Central, de propriedade da família. Em frente ao hotel, situado à Rua Bernardino Bogo, havia um escritório de contabilidade, que tinha como um dos sócios um outro paulista, de Presidente Prudente.
            Aparecido também viera havia pouco para a cidade, onde sonhava construir seu futuro. Não tardou a reparar na mocinha loira, magra, de olhos azuis, filha do dono do hotel. Mas, havia um empecilho ao namoro. Aparecido não tinha família na cidade, e não parecia ser muito confiável, pois aos 24 anos já ostentava uma saliente barriga e uma calvície bem pronunciada, o que fazia com que todos julgassem que ele já era casado. Mas,... Mercedes não resistiu aos encantos do careca.


               Casaram-se em 1954 e tiveram 6 filhos, três homens e três mulheres. Com toda essa filharada e o dinheiro curto, a vida não era fácil. Os ofícios do marido se sucederam. Depois do escritório, vieram: a fábrica de enxovais de batizado, o Bazar dos Presentes (que viria a ser consumido pelo fogo), o cargo de confiança na Prefeitura Municipal, que duraria 10 anos. As crianças cresciam e estudavam, enquanto o casal trabalhava. Mercedes ajudava como podia: cuidava da casa, costurava, cozinhava e lavava, lavava muita roupa...


         Depois de 10 anos trabalhando na Prefeitura, Aparecido foi aprovado para um concurso em um Tabelionato e Registro Civil, no distrito de Iguatemi, para onde a família se transferiu.
             A situação estava um pouco melhor, mas as demandas da meninada eram grandes. Mercedes concluiu que não bastava fazer economia (com empregada, com o pão e o sabão feitos em casa, com os reaproveitamentos de roupas). Parecia urgente ganhar seu próprio dinheiro, pra providenciar o enxoval das meninas, comprar uma roupinha melhor, fazer alguma extravagância fora do orçamento. Considerava que era necessário ajudar a trazer dinheiro pra dentro de casa.
Assim, passou a comprar roupas usadas, que eram reformadas e vendidas; também fazia viagens a Ibitinga, onde comprava roupas de cama e mesa e revendia às mocinhas casadoiras do distrito. Chegou também a se aventurar no ramo de revenda de automóveis!!! E olhem que ela não distinguia um Corcel de um Del Rey!!!
            Essa mulher era impossível! Estava sempre agitada, com alguma novidade. Se a irmã Angelina passasse pela casa e a convidasse para uma viagem, ela não tinha dúvida: imediatamente, arrumava umas roupas na mochila e viajava. Claro que, antes de sair, deixava um bilhete, mais ou menos assim: “Fui pra Tupi. Volto sábado. Tem feijão e bife temperado na geladeira. SE VIREM!”.
            Certa vez, chegou ao cúmulo de submeter-se a uma cirurgia do ouvido, sem comunicar ao marido e aos filhos, que só ficaram sabendo quando a secretária da clínica telefonou para avisar que tudo tinha corrido bem. Enfim, era uma mulher autônoma demais, independente demais para sua época. Nunca foi de ouvir passivamente uma argumentação, sempre retrucava. Que mulher danada Aparecido havia arrumado!


         Depois que os 6 filhos se casaram, os dois passaram a sair e se divertir mais. Contudo, as diferenças entre ambos afloraram, e veio a separação... Aos sessenta e cinco anos, Mercedes viu que era necessário começar de novo. Levantar, sacudir a poeira, dar a volta por cima... com o passar do tempo,  os dois se tornaram bons amigos,Cido tinha uma namorada ,mas nunca morou com ela. Tentaram voltar algumas vezes, mas não deu certo. Viajavam juntos,saíam pra dançar e pra jantar,essas coisas que permanecem em famílias que constroem relações que vão além do tempo de vida juntos. Ele ia à casa dela e ela ia à dele. No Natal, os filhos passavam a meia-noite na casa dela e o dia seguinte no sítio dele. Ela virou palmeirense, como ele. Em certos domingos, ela fazia pipoca e os dois ficavam juntos assistindo aos jogos, na casa dela. Ele foi operado em novembro de 1998 e no ano seguinte partiu para a outra margem da vida!
          E eu que estive prestando também a última homenagem, tive a grande emoçao de ver Cido sentado na mureta junto à lápide, onde seu corpo repousaria... Lá estava ele, com um jeito feliz, aplaudindo  o chorinho que Geraldinho do Cavaco oferecia  com os olhos marejados  enquanto era  preparada a caminhada para  a outra vida! Cido estava feliz! Ele sabia que a morte não o enganara, pois a vida ia além dela!    


            Estava escrito que a família aqui na terra era sólida e que era hora de MERCEDES, com os filhos criados, independência financeira, casa própria, podia fazer tudo o que não havia sido possível fazer até então: associar-se a um clube, fazer uma cirurgia de varizes, e viajar, andar por terra, céu e mar, dentro e fora do país.


              Também era o momento de cantar muito, para espantar todos os fantasmas. Foi assim que entrou para o coral “Jovens de Ontem”, participou de festivais, subiu ao palco e cantou, soltou a voz.


              Era também hora de dançar. Primeiro, tímida e discretamente, no SESC ou no Clube do Vovô. Mas quando o filho Helington inaugurou sua “Casa de Bamba”, liberou geral! A menos que esteja adoentada, marca presença toda sexta-feira e todo sábado. Afinal, diz ela, vou ficar em casa fazendo o quê? Ela é uma espécie de madrinha da Casa de Bamba, querida por todos os que freqüentam o bar e sonho de todos os que desejam viver muito, viver bem, aprender sempre, ser feliz.
           E eu que também sou da família, também vim do nordeste pra festejar a MERCEDITA!!!  


 Parceria com Sonia Benites, Amiga/irmã

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Te ofereço Paz

                       Há alguns anos decidi frequentar o centro espírita Caravana da Fraternidade Cristã , ler o evangelho e estudar mais. Acredito que é um dos caminhos para evolução. E tenho sentido essa presença da espiritualidade com muita força. Gosto das palestras  onde meu coordenador espiritual  convida todos os trabalhadores, encarnados e desencarnados,  para um momento de confraternização pela música e oração. É um momento rico, de grande energia. Sinto os cabelos da parte central da minha cabeça arrepiando. É mágico, único. Meu corpo é tomado por um sentimento de amor enorme. Um amor pela humanidade, algo que não consigo explicar, como se eu não me pertencesse, enche minha  alma de esperança e aumenta a minha consciência de que sou tão pequena...
           Sempre sinto Aurora, minha mãe, perto de mim quando estou lá. É como se ela tivesse reservado esse momento para me dizer que está por perto, que não se descuida de mim.
          E todas às vezes, todas, recebo lições e tenho intuições maravilhosas. Elas vêm em pensamentos completos, fortes, cheios de revelações sobre como preciso melhorar, e sobre coisas que me rodeiam..


            Gosto quando Almir fala de como cristianismo se afirmou frente às religiões pagãs, sempre tão alegres, tão livres, tão cheias de festa, música e alegria. Foi com sua seriedade, sua sobriedade e suas proibições, que o cristianismo e o catolicismo, principalmente, se fez respeitar. Mas que em momento algum foi Deus quem nos tirou a musicalidade, a alegria, o humor. Podemos nos dirigir a ELE cantando, amando, rindo festejando...

           Religare é antes de tudo estar mais próximo e por meio de todos os nossos sentidos, com Deus.

           Na última quinta feira, ao ouvir a canção “te ofereço paz'”, senti a música como mensagem de minha mãe. E a palestra foi sobre a presença dos espíritos amigos em nossas vidas. Enfim... lições, aprendizados, intuições.
           É uma longa caminhada. E em 2012, peço a Deus e aos meus amigos protetores que continuem me intuindo, me levando aos lugares certos para que eu escute aquilo que meu velho espírito precisa ouvir.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Salve, como é que vai?



                    
                     Que maravilha de encontro! Foi preciso correr riscos diferentes e agora nos encontrarmos outra vez para matar a saudade, dar longos abraços, muitas risadas e comparar o rumo das nossas prosas e vidas...
                     Bem antes foi o nosso primeiro encontro: nos bancos da UEM.... Quando a UEM era só uma faculdade funcionando no colégio Marista. Fomos pioneiras no campus. Havia somente dois blocos semi acabados no meio do nada e a gente tava lá! Estudando pra valer e morrendo de vergonha de professores feito Maria Célia, de lingüística, professora linda e competente que sabia muito e sabia também ENSINAR! A gente tinha vergonha de escrever e de falar e  ela dizia pra ir em frente,que não havia nada de errado. Que era assim mesmo: de tanto escrever, falar e ler é que a vergonha ia embora! .. A gente tinha o sangue jorrando no peito com a força de lutas e desafios da dos anos setenta  que chegavam tão rápidos como nossos sonhos.
                        Confesso que o que mais me encantou lá na casa de Salete não foi a constatação  de que nascemos,crescemos , depois envelhecemos...sem contar que também encolhemos!!.  Mas sim o profundo bem estar que sentimos ao nos olhar com olhos amorosos, buscando mais as semelhanças e a certeza que não tínhamos nos tornado velhinhas mal humoradas e tampouco com síndrome de “barbiessaouro”. Todas com formas de mulheres felizes e já com o medo da velhice perfeitamente aquietado! Nós já estávamos aprendendo a criar um novo pensamento para a vida de agora. Vovós corujas e exibicionistas. Prontas pra subir escadas só com subidas certas que o melhor de tudo é saber hoje atingir o topo e que isso não é só pra alguns felizardos! Estávamos menos hostis, menos estressadas, menos ansiosas. E nossa tendência era com muita naturalidade ver mais as semelhanças do que as diferenças.  Uma tremenda sensação de bem-estar.  Olhando para nós, de dentro pra fora dava pra perceber que éramos as mesmas. Picasso disse uma vez: "Leva um longo tempo para se tornar jovem”.  Lembramos dos degraus que subíamos.  Saltando às vezes, de dois em dois... Era natural a sensação que muitas coisas ficaram sem conclusão.  Ficamos colecionando ressentimentos tão banais! Ficamos com uma sensação de inacabadas. Daí o fantástico do nosso encontro : a  descoberta que muitas coisas que pensávamos sobre nós mesmas não tinham nada a ver conosco.Pois hoje somos capazes de voltar no tempo e perdoar a nós mesmas  e mudar nossa relação com o passado deixando-o mais fácil e amoroso.Sabemos agora que éramos responsáveis  por todas as nossas  escolhas. Éramos livres para escolher! Na verdade, o que determinou a qualidade de nossas vidas foi a forma como nos relacionávamos com nossa realidade.  É como reajustar o termostato.  
                            Depois de uma viagem aos prazeres da gula tão bem  saciados e proporcionados por Amélia, mulher de verdade, começamos  redefinir a nós mesmas como  mais completas e podendo inclusive , deixar aos nossos filhos e netos essa  vontade de repensar sobre as expectativas de suas vidas  com mais leveza do que nossos pais.    
                          Valeu! Amigas queridas,obrigada pelos bons momentos.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A bolsa amarela

                   Tantas vezes nesta vida li o livro “A Bolsa Amarela .”
        Lygia Bojunga escreveu.
        Eu li, reli e devorei.
       Agora ele é meu. Eu reconto pra vc a parte da casa dos consertos. 
       A bolsa amarela era de Raquel. Era imensa! De pano e um bocado velha. Tinha muitos filhotinhos de bolsa escondidos em seu interior.    Era lá que ela guardava suas vontades e seus segredos. Não havia fecho .Quando as vontades começavam a engordar lá dentro era um problema sério e merecia solução urgente.
         Raquel descobriu, então, que no final da rua em que morava havia uma casa dos consertos. A casa se dividia em quatro partes. Na primeira tinha uma menina; na segunda havia um homem; na outra, uma mulher e na outra, um velho. A menina estava estudando, a mulher cozinhando, o homem consertando um relógio e o velho, uma panela.
          A mulher cozinhava cantando baixinho. Volta e meia provava a comida e aí ficava com uma cara mais feliz ainda.
         A menina estava fazendo um mapa do mundo. Caprichava nas cores e escrevia o nome das capitais nos países.
         O homem botava o relógio no ouvido e ficava todo satisfeito com o tique taque.
         E o velho soldava a panela de um jeito tão bom que ela iria durar o resto da vida sem estragar. Panela velha é que faz comida boa.
        Havia milhões de coisas penduradas nas paredes: cadeira, rádio, roupa, bicicleta e por aí a fora!
        Na parte dos fundos da casa de consertos só tinha livros.  Era livro que não acabava mais. Raquel foi logo perguntando ao velho se a bolsa dela tinha conserto. Mas qdo ele ia responder, o relógio na parede começou a bater a hora e tocar uma música bem animada! Todos pararam o que estavam fazendo e foram pro meio da sala dançar e cantar. Raquel Tb foi dançar, errava tudo e todos riam , mas não era só dos erros que todos riam, era de tudo!   
           De repente, a música parou! Não era como uma música que ia ficando mais lenta no fim e mais baixinha. Todas as músicas vão ficando mais isso ou mais aquilo e a gente logo vê que ela está chegando ao fim. Mas a música do relógio parava de estalo. Sem nenhum aviso. Todos paravam de estalo bem junto com a música. Olhavam onde tinham parado. O homem tinha parado junto do fogão, o velho junto do mapa, a menina junto do guarda chuva e a mulher perto da panela e da solda. Nem olharam outra vez: o homem foi logo cozinhando, o avô abriu uns livros e começou a estudar, a mulher desatou a soldar a panela, a menina examinou o guarda chuva e a Raquel ficou parada querendo entender a gente daquela casa. A menina foi logo apresentando todos: o pai, a mãe e o avô.
         As perguntas saíam aos montes da boca da Raquel:
- por que teu pai tá cozinhando agora e tua mãe tá soldando a panela?
        A menina respondendo sem parar:
-porque ela hoje já cozinhou bastante e ele já consertou um bocado de coisas, eu também já estudei um monte e meu avô soldou muita panela: tá na hora de trocar tudo.
-por quê?   
-Pra ninguém achar que tá fazendo uma coisa demais e pra ninguém achar também que  o que está fazendo é menos legal que o outro.
           Raquel achava esquisito o avô estudando sendo tão velho... Mas lá na casa de consertos o velho só era velho por fora. o pensamento dele tava sempre novo como o pensamento dos outros.
           Raquel quis logo saber quem era o chefe da casa... Quem resolvia as coisas da casa como, por exemplo, o que cada um ia estudar...
            Naquela casa, todo o dia tinha uma hora de resolver as coisas. Como fazer pra enfrentar o caso que a vizinha criou, se iam se divertir mais que trabalhar o que iam comer, qto iam gastar com comida, aí decidiam, todos juntos o que achavam melhor. E todo mundo podia achar!  Lá criança também achava!
           E por falar em achar, foi da bolsa amarela que achei a coragem de retirar dos meus bolsos as palavras lá guardadas. Nem sempre elas saem com a dosagem certa.
           Às vezes nossas palavras são mais leves e se tornam únicas! Tão leves que o vento não consegue levar assim como um carinho amigo...
           Esse bolso é pra vc!!!!!.