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domingo, 4 de dezembro de 2011

Dunkin´ Donuts


2005/ Janeiro/ três
Estou no Dunkin com a Ana, vim ajudá-la a desfazer os arranjos de Natal. Fiquei observando-a enquanto andava de um lado para o outro, diligente, sempre alerta, com uma pronúncia correta e agradável ainda que com pouco vocabulário... É verdade...
Sentei no mesmo lugar onde ela rascunhou a primeira carta- email de maio/ 2004
“... acabei de sair do dunkin e estou sentada sozinha em uma mesa ouvindo a conversa de uma família americana e também de quatro meninas sentadas em outra mesa.  Na TV passa notícias dos EUA. Lá fora tá um frio e uma chuva que não pára de cair e eu aqui nesse mundo tão louco e tão diferente. Quase não entendo o que se passa. Às vezes, me dou conta do que estou fazendo e de onde estou e, não acredito!
Não tenho muito tempo pra pensar, pois passo 12 horas trabalhando.
Hoje o General manneger disse que não era pra eu trabalhar tanto assim porque dava pra ver em meu rosto os sinais de cansaço. Mas eu quero trabalhar muito, precisamos de dinheiro pra que tudo se resolva rápido. Sei que ando muito cansada. Se você visse não ia acreditar!  Chego em casa e não consigo nem andar,tampouco falar. Tenho dor no corpo inteiro.  Não estou cuidando de mim.  Ando sempre de cabelo preso, sem brincos, sem anel e comendo qualquer coisa que vejo pela frente. Quando vou tomar banho, olho meu corpo e vejo como já mudou! Na verdade, não estou mais preocupada com estas mudanças físicas.  Acho que é porque passei a vida toda dando muita importância à aparência física e o que eu estou vivendo aqui é muito diferente e muito mais intenso! Eu não sei como estou me sentindo, não sei se você me entende... Passo o tempo todo como se nada sentisse... Eu que fui sempre tão sensível... Emotiva... Pareço uma máquina boba, burra e que não sabe nem falar esta porra dessa língua!Mas de uma coisa eu sei, tenho certeza da falta que você me faz e a saudade que tenho de você. Sinto falta do seu carinho a das suas palavras... Parece que estou sempre fora do lugar e que a qualquer momento vou arrumar minha mala e em mais algumas horas estarei em casa abrindo a porta e vendo você de pijama, o Ypon fazendo a maior festa e a gente deitadinha na cama...
Quando volto a mim, estou aqui nesta mesa tentando me entender e entender o que se passa neste meu mundo novo.
Mima, quero que você saiba que acima de tudo e de todas estas dificuldades estou orgulhosa de mim e do André, por estarmos aqui. Estamos nos conhecendo. É isso... Hoje faz dois meses de América. O André chegou pra me pegar, vamos ficar sozinhos em casa que é nossa e de todo mundo também...
Amanhã eu trabalho até às 14.00h e o André até às 16.00h. Quero ir ao correio, ao banco e na “laundry” e, é claro, ver e falar com você no computer.  Boa noite! Vou ficar com meu namorado... Ele tá no sofá toda hora me chamando. Tenha um lindo dia amanhã! Beijo, sua Ana...”

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