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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Então é Natal...
            O Natal chegou pelas janelas do Palácio Avenida, em Curitiba. Mil luzes desenhavam o prédio de tantos anos. Em cada janela crianças de gorros e roupas com as cores do natal. Vozes cristalinas cantavam e encantavam a multidão curiosa e faminta de sonhos e desejos. Calavam fundo. Crianças e velhos fechavam o ciclo da vida. De surpresa em surpresa nossos corações sorriam e choravam ao mesmo tempo.
            E o papai Noel, então? Era lindo, imenso, fofo e bondoso como convinha ao bom velhinho. Ficava sentado no topo do telhado. Quando seu sax entrava em ação, toda a gente delirava! Riamos muito e aplaudíamos feito crianças. A seu lado, a mamãe Noel, com um violino surpreendia a gente com acordes divinos. O vento sacudia saia dela levantando os babados e mostrando as botas muito comportadas. A gente podia até imaginar as piscadas cúmplices que enviava por trás dos óculos de vovó sábia e bondosa... Ela agradecia os aplausos.
               Nossos olhos passavam de janela em janela, de emoção em emoção... Impossível não gritar quando de repente, os anjinhos desceram dos céus mandando beijos para nós que estourávamos de alegria.
             Mas depois, o sonho acabou. As janelas se fecharam de par em par. Cessaram os aplausos. O silencio se fez intenso. O show havia terminado. Dentro da gente ficava um jeito de quero mais... Um jeito de criança que pede outra vez... Não estava tudo acabado; como magia as janelas abriram-se outra vez, a música invadiu a noite iluminada e nos havíamos aprendido que bastava aplaudir, aplaudir bastante depois ficar quieto, parado esperando que as janelas se abrissem outra vez!
            E outra vez o natal fazia parte de todos. O coração estava mais leve. O pensamento voava. A gente descobriu que para ser feliz era preciso antes de tudo estar alegre e leve...
           Lembrei daquele natal porque já é dezembro outra vez. Não sei quantas luas se passaram... Foram muitas! Só sei que a emoção sempre é forte e as vontades são as mesmas; queremos lembrar, abraçar e receber carinhos. Queremos presença. Queremos presentes. Queremos comer. Queremos cantar. Queremos brindar. Queremos agradecer. Queremos rezar. E, sobretudo, queremos próximos os distantes.
         Ah e queremos crianças!
       Com elas as horas são muito poucas e muito loucas.
        Que neste Natal um anjo bom nos ilumine!
        Que o amor nunca termine!
        Que haja sempre uma boa aurora!
Dezembro, 1996

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