Páginas

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dodi ,o nosso homem da lanterna
 "A coceira no ouvido atormentava. Pegou o molho de chaves, enfiou a mais fininha na cavidade. Coçou de leve o pavilhão, depois afundou no orifício encerado. E rodou, virou a pontinha da chave em beatitude, à procura daquele ponto exato em que cessaria a coceira. Até que, traque, ouviu o leve estalo e, a chave enfim no seu encaixe, percebeu que a cabeça lentamente se abria."
                    Enfim, um indivíduo que tinha idéias abertas!
 Que maravilha!Fiquei simplesmente fascinada com Marina Colassant quando li esta crônica!
                  Uma cabeça cheia de gavetas. Nas gavetas idéias guardadas só engordando e esperando a hora de a chave entrar em seu encaixe...
                Foi assim que eu sendo uma menina comum, loira, de olhos claros, fuxiquenta, sentimental, às vezes, petulante, às vezes, tímida descobri a vontade de escrever que ia engordando e tomando forma.
                  Quando pequena, minha professora dava aquela lição de casa:- forme uma frase com a palavra casa, eu queria inventar frases diferentes. Ficava um tempão com as idéias na cabeça. Não me contentava só em dizer que a casa era amarela. Escrevia a casa de Roberta tinha um telhado vermelho, com duas telhas quebradas. Ao invés de dizer "a bola era redonda" eu escrevia: a bola pertencia a uma menina chamada Maria Eduarda, que vivia ao lado de um campo verde de futebol e ia por aí a fora....
                Agora, buscar a inspiração, com uma chave cutucando as idéias.. Isso sim é incrível!

              Como me sinto uma pessoa pouco imaginativa, trabalho em cima de coisas conhecidas. Vou usando as coisas reais e daí, dou uns vôos. É comum no meio do vôo acabar o combustível. Então o escrito vai pra gaveta ou pro bolso da memória.
                Hoje fui pro bolso da memória e encontrei o nosso homem da lanterna!  O nome de verdade é Diógenes, mas cadê de avô falar um nome tão difícil. Saía Jorges... Dorges... E por fim, Dodi chegou pra ficar! Para ficar, para balançar as estruturas meigas da irmã, para preencher os dias e sonhos da avó que se desmanchou toda e sempre por ele.
                 De voz forte e metálica, de invencionices que beiravam os ataques mais criativos que um moleque podia ter. Dodi tão logo que parou em cima de uma motoquinha, entrou porta adentro trovejando e dizendo que deu uma freada tão grandona que ficou um "nisco" no chão... 
                 Sendo um guri gaucho, era tiatino como o pai. Fazia promessa pro negrinho do pastoreio. Andava pelos pampas, usava bombachas como o pai e deixou também um rastro de lenda atrás de si. Ainda hoje sabe cevar um mate gordo de esperança. Sabe tomar um trago bem graúdo e também foi preso por uma prenda da melhor qualidade!
                 Então um dia cansado de ciganear, ao lado de sua prenda, construiu um mundo novo no Paraná. Vale dizer que havia agruras como todo começo! A única diferença é que naquela hora, era hora de acertar. Estava escrito nas estrelas que a receita era aprender a lidar com as adversidades, que a bem dizer, eram muitas.
                 Estava também claro que Dodi tendo a força positiva dos grandes enfrentamentos, foi de tudo um pouco e fez de tudo um muito!
                   Foi rebelde com as convenções sociais impostas goela abaixo. Quase sempre despreocupado com a falta de bons modos ao apresentar seu ponto de vista, o que acabava lhe rendendo algumas antipatias e constrangimentos principalmente junto das quatro mulheres que recheiam seu viver e seus pensamentos.   
                   Quase sempre com um conhecimento improvisado, inventivo  bem humorado e tosco também... rssss ....foi deixando marcas profundas em si mesmo. Uma das melhores marcas que gosto de lembrar é a forma carinhosa e inesperada com que nosso Dodi tem de surpreender a gente aparecendo depois de tempos sem fim, como se tivesse só ido ali na esquina comprar jornal.
                    Uma das grandes vantagens que a maturidade nos confere é poder reconhecer com absoluta certeza o caminhar das pessoas que fazem parte de nossa historia.
        
            É assim que nosso Dodi com muito orgulho comemorou sua formatura.
                    É com profundo orgulho que te digo  usando as palavras de nossa Aurora de sempre: parabéns anjo dourado!   
                   É com profundo orgulho que uso as palavras que teu pai lá da segunda nuvem, à esquerda falou: esse é meu filho com muito orgulho!!!!!!!!!!! Eu sabia!!!! 
                 É com profundo orgulho que também repito as palavras que teu avô me diz baixinho no ouvido: esse é o meu neto Dodi! Meu neto formado!!   
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário