É um trololó...
A gente do sul tem uma fala com um objetivo preciso: ter razão. Ganhar o argumento. Convencer. Há grande chance da prosa da gente do sul terminar mal. Um ganha, fica feliz e se sente superior. O outro perde, fica com raiva e se sente inferior e assim vai num toma lá da cá.
O grande lance do trololó é ir em frente: num vai e vem feito de um prazer permanente que não acaba. Ganhar na prosa significa o fim do brinquedo. Curtir um trololó é o grande, o mega, ultra Power segredo das relações amorosas e das amizades construídas sem pressa... Nietzsche dizia que quando uma pessoa se prepara pra casar a única pergunta importante que devia ser feita é "terei prazer em conversar com essa pessoa quando eu for velho?"
E não é que ele tinha razão?
Outro dia aqui em casa a gente começou um trololó sobre o "Quero- quero". Quero-Quero é o nome de um pássaro de pernas compridas que pode ser encontrado andando. Andando feito gente pelos campos, melhor dizendo, pelos pampas gaúchos. O nome já está dizendo: quero- quero. Querer é desejar. As crianças mais do que ninguém são movidas pelo querer. Elas parecem ter a alma habitada por sonhos.
Outra coisa curiosa é que o quero-quero tem a voz estridente que só!
Meu irmão mais velho, diria que esse bichinho cantador também é chamado de sentinela dos pampas... Sempre dando sinais de quem se aproxima.
Quando criança, lá em casa, o pai contava a história da Sagrada Família que ao fugir para o Egito, muitas vezes precisava se esconder dos soldados do Rei Herodes. Numa dessas vezes o pai do menino Jesus pediu pra todos os bichos que fizessem silêncio, que não cantassem. Todos obedeceram prontamente, mas o quero-quero, não: queria por que queria cantar. E dizia: Quero! Quero! E tanto disse que foi amaldiçoado: ficou querendo até hoje!
PRONTO! De um trololó para o outro é só fazer reticência e mudar o rumo da prosa ...
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