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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Parque das Grevíleas... Recordar... etecetra e tal.
Parque e palco de meus mais lindos sonhos!Meus olhos me empurram para o parque que tão bem conheço... Vejo as árvores crescendo rápidas, quase como uma fornada de pão e ficam altas, muito altas. As folhas delicadamente dentadas são verdes. Sendo o lado de dentro de um branco acinzentado ou ferrugem. As flores são alaranjadas com um pouco de ouro. No final do inverno, quando as sementes caem são tão pequenas... Não mais que uns dois centímetros às vezes são grudadas, chatas e com asas. Dá pra imaginar daqui uma área de bem uns quarenta mil metros quadrados e não é exagero não! Toda contornada por primaveras margeando uma pista de caminhadas.
              Era nas caminhadas por esse parque que conheci um catador inteira e orgulhosamente anônimo. Minha filha e eu, carinhosamente, o chamávamos de o "homem do pé grande" não sei se os pés eram tão grandes assim ou os sapatos. Ele catava garrafas de plásticos e pregos no chão. Os pregos, sempre que os encontrava guardava-os deitados de comprido, ou de lado, eram pregos tortos. Não furavam mais. Não exerciam mais a função de pregar e nem de transmitir tétano. Ganharam o privilégio do abandono.
             O homem passava o dia inteiro nessa função de catar coisas aparentemente inúteis na época. Acho que essa tarefa lhe dava algum estado. Estado de pessoas que se enfeitam de trapos e pronto. Catar coisas que parecem inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter.  
                 Na última vez que estive em Maringá, várias vezes meus olhos correram curiosos por entre as grevíleas procurando por aquele homem tão singular,enquanto batia um bolão com Liam. Liam tão pequeno e trazendo tanta alegria nas pernas. As pernas mais felizes que já vi!  
                  Entre boas recordações antigas e novas encontrei um poema que partilho agora com vocês...

      Essa árvore é perfeita
      pena que as folhas são verdes
      e caem, sujando minha ignorância
     pena que as raízes são subterrâneas
     e profundas - e eu tão superficial                                   
     pena que o tronco tem casca externa
     pena que as flores não combinam
     com a cor do novo carro que comprei
     pena que, um dia, insatisfeito,
     terei que cortá-la e não plantar outra no lugar
     pena que os frutos são comestíveis demais
     e atraem pássaros barulhentos e indesejáveis
     pena que não dê sombra à noite
     pena que não abane o rabinho quando chego em casa
     pena que cresça para cima
     pena que produza oxigênio
     pena que não seja de ferro, plástico e papel celofane
     pena que o perfume das flores seja apenas aroma
     pena que seja apenas uma árvore»
                                                     Poema inédito de NICOLAS BEHR 
Fiquei sabendo que estão querendo trocar o nome do Parque! Façam isso, não!!!!!

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