O Gaúcho também morando lá na nuvem...
Dos filhos que nasciam rompendo o tempo regulamentar entre um e outro, nasceu Milton, tão rente comigo que disputamos o colo, o leite, a cama e assim fomos crescendo e distanciando nosso querer porque querer não era poder lá em casa. Assim que fez dez anos, por influência da mãe e dos padres, foi para o seminário. Ia ser padre e a mãe ia ter seu lugar garantido ao lado de DEUS pai todo poderoso!
Um dia ele não quis mais ser padre, quis tocar violino! A mãe sofreu. Todos sofreram também, vendo o sofrimento dela. O tempo passou, o violino foi esquecido e ele continuava com um mundo particular... No começo, quando jovem, ria muito. Depois bebia e ria. Depois só bebia. Não ria mais! Sonhava muito. Sonhos que não conseguíamos aceitar! A gente tinha aprendido que o sonho tinha que estar só uma escala acima da realidade! E que para sermos normais nós, os irmãos, tínhamos que nos parecer uns com os outros...
Gaúcho era diferente. Via o mundo com as cores e sonhos próprios. Antes de completar cinqüenta anos, optou por uma vida à beira de um rio, minimalista que era, tinha tempo e vontade suficiente pra lavar a camisa e depois ficar esperando que secasse, tendo como pano de fundo o rio imenso e belo!
Seu tempo foi curto aqui, logo foi morar na segunda nuvem onde mais tarde virou o lar de muitos de nós!
Deixou dois filhos guardando do pai a imagem e o afeto mais puro que se pode ter.
O filho, jovem de vinte e cinco anos, partiu também. Um acidente trágico o levou para a outra margem da vida. Neno não viveu o bastante para ver o homem que queria ser. E por ter sido o menino que foi, fez coisas além do sonho que sonhou. Trazia consigo toda a infância no sorriso. Nada levou, deixou o que a vida tinha dado: o amor, a energia, a alegria de criança, uma adolescência cantada e brincada com a vó e primas, mas sabia guardar o poder da infância que passeava sorrindo dentro de seu peito de jovem.
E nós guardamos a certeza de que pai e filho estão juntos agora e que um vento suave sopra lentamente às suas costas abrindo novas estradas e o sol brilha morno em suas faces.
E até que nos encontremos outra vez, que DEUS lhes guarde na palma de sua mão!!!

Minha tia linda, estas palavras são um presente para meu coração. te amo!!!neste trem que leva o nome de vida alguns desembarcam outros embarcam, e é assim que é, só nos resta aceitar que alguns se despediram e festejar a entrada de outros...Ana Laura Ferreira
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