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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

            Gosto dos coqueiros
            Bastam algumas horas na praia para as coisas irem mudando dentro da gente. Os pensamentos vão se tornando profundos e leves conforme o bater das ondas na  areia....Tenho certeza que do tempo que Deus dá pra  gente viver aqui na terra é descontado o tempo que a gente passa namorando o mar e os coqueiros na praia . 
                 Gosto de coqueiros. São muito significativos, eu acho. O tronco longo, flexível, que vai e vem no embalo do vento pra não se partir. As raízes grossas,magrela,às vezes todo troncho, quase aleijado mas sempre  plantando seus "pés" no chão. As folhas longas, leves, como os cabelos de mulher na beira do mar. Estava aqui pensando...O amor deve ser meio coqueiro, não? Flexibilidade, firmeza e delicadeza.   
            Alguns  coqueiros são sozinhos... profunda e orgulhosamente sós, como dizia Maísa, cantora. Dão conta da sozinhez. Nada lhes falta. Talvez pequem pela magreza... Pois deixam uma sombra egoísta. Gosto dos coqueiros que se enroscam  uns nos outros, são acolhedores e amigos, embora há que se cuidar porque são  também dissimulados; sem que nem porquê, soltam um coco bem em nossa  cabeça ou no carro. Quando eles se enroscam ficam quase iguais, mesmos traços, mesmos abraços, mesma cara, parecendo a gente depois de muito tempo de casado.
                Mas o que mais me encanta é saber que nunca se abatem diante dos açoites do tempo e do vento! São altivos e quando quase não mais resistem ainda conseguem vergar a cabeleira a favor do vento, Incrível! Um dia a gente olha e eles estão  lá, os corpos aleijados...a cabeleira linda, desarrumada!!
                Minha paixão é caminhar enquanto sou vigiada por uma verdadeira infantaria de coqueiros postos lado a lado dispostos a dar as boas vindas a toda a gente da minha praia! 
                Fernanda  blogueira,da Janela Suspensa diz assim: “ Sim, como eu gosto dos coqueiros!!! E tenho pela vida afora uma saudade constante deles, por estar sempre longe de onde nascem... Não serve palmeira...tem que ser coqueiro, como diz o Ary Barroso na "Aquarela do Brasil": "ah, esse coqueiro que dá coco..." Num espetáculo lindo do qual participei uma vez, cantei uma música que acho a coisa mais linda do mundo, do Zé Vicente da Paraíba, chamada "quanto é grande o autor da natureza", que tem um verso genial a respeito do coqueiro: "O coqueiro na sua formação / com os frutos ligados em um cacho / seja alto demais ou muito baixo / como vemos aí o coqueiro anão / apanhando seus frutos pelo chão / cada fruto contém a água presa / sem riacho, sem rio, sem correnteza / nem de chuva também que não pingou / ninguém viu como foi que a água entrou / quanto é grande o autor da natureza..."

               

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