As duas falam. E como falam!
Esse diálogo entre a casa e a rua, entre o interior e o exterior nem sempre é amistoso. As diferenças estão lá na rua e aqui na casa. Na casa é o espaço fechado das diferenças. Na rua o espaço aberto. A rua não se sente hostilizada pela casa, mas com certeza, a casa sente a necessidade de proteger seu interior, sua intimidade e privacidade.
Então nós vamos aprendendo a conviver com as alegrias e aflições,vamos criando nossas próprias regras pra suavizar os atritos entre a rua e a casa.
É certo que a casa tem doçuras de mel e o amargo do fel. Tem tudo o que é do homem em sua mais verdadeira e mais densa realidade. Às vezes, o ar fica tão sufocante dentro da casa, que a rua se torna um paraíso. Saímos. Queremos respirar o descanso da multidão tao sem nome, dos que não nos cobram nada, dos rostos que não nos dizem respeito. Esses pensamentos assim que se instalam, vão corroendo em nós aquelas mesmas reservas em que deveríamos buscar a recuperação .
Mas volto ao ponto de partida! A casa é um mundo dentro de outro mundo. Acho. De fato o é. Ou deve ser. Dentro da casa está o lar! E é lá que mora a intimidade. Uma intimidade de afeições. Cumplicidade incondicional. Uma história escondida.
Se por casa entendemos uma construção de cimento e tijolos que serve de abrigo das chuvas, frio e calor, o lar é onde construímos valores, princípios, (bons ou ruins) é um abrigo seguro para o medo, a dor e para a solidão. (às vezes, povoada) . Se bem que a gente que é brasileiro só gosta de fazer a distinção entre casa e lar qdo convém. É no lar que refazemos nossa energia, é lá que corremos em busca de conforto qdo estamos doentes. Descobrimos que nossos verdadeiros companheiros estão no lar, apesar das divergências podemos contar com o amor incondicional. Pode haver sim, azedume, mau humor, mas tudo fica em segundo plano qdo uma dor grande nos assola.
Dentro desse enredo que abriga a família e é nesse enredo que se esconde a família:uma concha fechada e dentro dessa concha um enredo maior, escondido na intimidade e no enredo da casa. É o homem que se esconde dentro da casa. Fecha-se dentro do que já é fechado. Abriga-se no interior do que já é abrigado. E assim é que, nesse último reduto, nesse último porto, nesse abrigo, nessa concha é que mora o medo de perder o Eu que não é meu nem é de ninguém.
Dentro desse enredo que abriga a família e é nesse enredo que se esconde a família:uma concha fechada e dentro dessa concha um enredo maior, escondido na intimidade e no enredo da casa. É o homem que se esconde dentro da casa. Fecha-se dentro do que já é fechado. Abriga-se no interior do que já é abrigado. E assim é que, nesse último reduto, nesse último porto, nesse abrigo, nessa concha é que mora o medo de perder o Eu que não é meu nem é de ninguém.
Dentro da casa andamos como somos. Desarrumados, de pijamas. Dentro da casa/lar o meu Eu caminha e vai até a sala de visitas. A sala, aquela destinada a ser de visitas, de receber as pessoas de fora, um santuário, quase. Lá tudo fica arrumado mesmo que o sofá não seja nem das visitas e nem dos da casa. O sofá é das almofadas bem enfileiradas, quase sempre ocupando o espaço todo. No sofá é dito que não se pode comer, não se deve por os pés. Nem pensar em dormir ou ir se espichando. Se algo fica fora do lugar, assim que a visita entra depressa as coisas esquecidas são escondidas de qualquer jeito e os pedidos de desculpa se enfileiram.
Todas essas reflexões foram surgindo devagarinho ao lembrar de gente como o Polaco e Zezé que resolveram transferir a sala de visitas para o quintal!!!!!!!!!!!Por isso, amei a noite de ontem na sala/quintal e só me dei conta que era hora de ir qdo o badalo do relógio avisou a meia noite.Então resolvi misturar os Eus da casa e da rua e sair andando por aí a fora!
Todas essas reflexões foram surgindo devagarinho ao lembrar de gente como o Polaco e Zezé que resolveram transferir a sala de visitas para o quintal!!!!!!!!!!!Por isso, amei a noite de ontem na sala/quintal e só me dei conta que era hora de ir qdo o badalo do relógio avisou a meia noite.Então resolvi misturar os Eus da casa e da rua e sair andando por aí a fora!
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