Outro dia ,conversando com minha Dindinha Cris e amigas do Paraná que curtem o nordeste a gente falava a delicia e das diversidades do nosso povo tão brasileiro.Dizia que aqui o povo proseia com a língua ligeira que só! Engole silabas e atropela as palavras e aos poucos nosso ouvido vai ficando afinado para uma língua assim tão despenteada. é gostoso ver os gostos diferentes nos quiosques da praia, gente lambendo os beiços só de ler o cardápio e pedir a comida: pirão, rubacão, buchada de bode e mais uma “ruma” de comida, que qdo a gente termina de engolir o suor já vai correndo pelos quatro cantos. Em todas as padarias sempre encontramos uma tigela com pedaços de rapadura que é pra adoçar a língua.
Muitas coisas, não dou conta de comer! Só gosto do nome!
Gosto de ver que o ano aqui é dividido por festas. Neste período da páscoa fico emocionada quando assisto a uma procissão e observo aqueles rostos sofridos, curtidos de sol do seu povo. Tudo é belo neste ritual. A ladainha, Os pés descalços, o véu sobre a cabeça, o terço entre os dedos. O som dos sinos repicando,o andor carregado por fiéis. A grandeza de uma fé que não se abala.
Todas quartas feiras, centenas de homens se reúnem para rezar o terço. Esses mesmos homens que rezam são os mesmos que esperam o São João pra se lascar numa farra boa, numa dança de quadrilha, ao som do xote, do baião e do forró PE de serra. Sacolejam e tem certeza que não há som mais lindo que o da zabumba,da sanfona e do triangulo... Dançar ao som desse trio é bom demais. E ficar nesse rela-bucho até o dia amanhecer, sem ver o tempo passar e tampouco sentir os quartos se arriando, as canelas se tremelicando, o espinhaço se quebrando e os pés se queimando em brasa.. Ô negócio bom!
Todas quartas feiras, centenas de homens se reúnem para rezar o terço. Esses mesmos homens que rezam são os mesmos que esperam o São João pra se lascar numa farra boa, numa dança de quadrilha, ao som do xote, do baião e do forró PE de serra. Sacolejam e tem certeza que não há som mais lindo que o da zabumba,da sanfona e do triangulo... Dançar ao som desse trio é bom demais. E ficar nesse rela-bucho até o dia amanhecer, sem ver o tempo passar e tampouco sentir os quartos se arriando, as canelas se tremelicando, o espinhaço se quebrando e os pés se queimando em brasa.. Ô negócio bom!
Admiro a arte do improviso do poeta popular, com a beleza da banda de pífanos, com a pegada forte do coco-de-roda, com a alegria da quadrilha junina. O artista nordestino é um herói e nos cordéis do tempo vai registrando a sua história.outro dia assisti a um repentista compor uma mesa de um congresso e também fazer todo o cerimonial em forma cordel! isso mesmo: a criatividade dançava nas palavras e no imaginário de todos presentes.
No inverno, que não é inverno e sim estação das chuvas, não existe música mais bonita do que a tocada por São Pedro, quando ele se invoca e mete a mãozona nas zabumbas lá do céu, fazendo uma trovoada bonita que se alastra pelo Sertão, clareando o mundo e inundando de esperança o coração do matuto. A chuva é bendita!
Gosto muito do nordestino que não sai por aí imitando chiados e fechando vogais. Gosto de quem não se envergonha de sua história. Gosto, porque também não disfarço meu sotaque que também denuncia minha origem.
Não vou falar da grande parcela dessa mesma gente que tem em todo lugar e que tem aqui também,que se enche de poderes e promete resolver os problemas de seu povo, mentindo, enganando, ludibriando, apostando no analfabetismo de quem lhe pôs no poder, tirando proveito da seca e da miséria para continuar enchendo os próprios bolsos de dinheiro.
Há que se alargar o tempo falando de nossas belezas. Feito você, minha gentil amiga, que plasticamente desenha as palavras para falar de gente comum. A gente é capaz de ver esse quadro pintado.
ResponderExcluirNão temos que estreitar o tempo falando de nosso lixo, a perversa gente que se inventa de gente, que mesmo que queira, nunca fará parte desta arte.