Quando tinha 15 anos achava que uma pessoa com qualquer idade mais de 30 era um absurdo.
Hoje, acho que era um absurdo eu achar aquilo.
Gosto de ouvir as histórias que as pessoas mais velhas tem para contar, são aventuras, alegrias, tristezas, gargalhadas e lágrimas que marcam a saga de cada um deles.Muitas sessas historias acabam com a morte. Nem sempre uma morte qualquer. Morte (sim, com letra maiúscula, essa autoridade).É realmente muito difícil aceitar que vamos morrer, muito embora saibamos desde pequenos que cada passo que damos mais nos aproximamos dela, afinal cantamos nos aniversários: muitos anos de vida...A lógica é:mais um ano de vida que é menos um ano, mas claro mais um ano é pedido, porque na verdade também estamos falando de 365 dias passados e de preferência bem vividos e assim se renova a esperança de novos belos 365 dias.
Se morrer é certo, viver não é assim: afinal viver não é o mesmo que existir.Se é que podemos definir que socialmente bem sucedido é aquele que conseguiu ser feliz. E a felicidade de uma pessoa é construída ao longo do tempo, por muitos fatores que vão de família, trabalho, espiritualidade, "conquistas", aprendizado, etc.
Como corpo muda desde sempre, costumamos dizer grosseiramente que o corpo fica feio ao envelhecer, é quando as rugas aparecem, o cabelo se torna grisalho, a pele flácida, mas isso se deve também ao valor que a sociedade atribui à estética, onde a ditadura da beleza cada dia mais exige que sejamos verdadeiros seres biônicos, providos de "corpos perfeitos", mas com o tempo isso muda, assim eu espero. Ah como espero! A palavra esperança nasceu de esperar....
Assim como o vinho melhora com o passar do tempo, espero que ao envelhecer nos tornemos melhores, pois a gente sempre ouve dizer"você não cresceu não é?"Fica claro que crescer é evoluir e não espichar.
Acreditando na questão da evolução do espírito, já que a criança está próxima da Criação por uma questão de tempo, nós velhos, estamos mais próximos da origem e do Criador, já que para este deve retornar.
É lógico também entender, então, que há mais sabedoria naquele que já viu e viveu muito. Mesmo que, nem sempre se saiba o que fazer com a sabedoria....
Outro dia, estava jogando tênis com meu neto e disse a ele:
- a vovó está precisando parar. Está velhinha e precisa descansar um pouco.
- eu sei.
- como que você sabe?
- o meu amigo, Artur, também é velho. já tem quatro anos!
Tratei logo de realinhar as dobradiças deste sábio corpo e continuar o jogo!
Afinal, é para isso que vamos vivendo e experimentando a alegria de sermos eternos mutantes.
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