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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

      O Gaúcho também morando lá na nuvem...
              Dos filhos que nasciam rompendo o tempo regulamentar entre um e outro, nasceu Milton, tão rente comigo que disputamos o colo, o leite, a cama e assim fomos crescendo e distanciando nosso querer porque querer não era poder lá em casa. Assim que fez dez anos, por influência da mãe e dos padres, foi para o seminário. Ia ser padre e a mãe ia ter seu lugar garantido ao lado de DEUS pai todo poderoso!
Um dia ele não quis mais ser padre, quis tocar violino! A mãe sofreu. Todos sofreram também, vendo o sofrimento dela. O tempo passou, o violino foi esquecido e ele continuava com um mundo particular... No começo, quando jovem, ria muito. Depois bebia e ria. Depois só bebia. Não ria mais! Sonhava muito. Sonhos que não conseguíamos aceitar! A gente tinha aprendido que o sonho tinha que estar só uma escala acima da realidade! E que para sermos normais nós, os irmãos, tínhamos que nos parecer uns com os outros...

Gaúcho era diferente. Via o mundo com as cores e sonhos próprios. Antes de completar cinqüenta anos, optou por uma vida à beira de um rio, minimalista que era, tinha tempo e vontade suficiente pra lavar a camisa e depois ficar esperando que secasse, tendo como pano de fundo o rio imenso e belo!
Seu tempo foi curto aqui, logo foi morar na segunda nuvem onde mais tarde virou o lar de muitos de nós!
Deixou dois filhos guardando do pai a imagem e o afeto mais puro que se pode ter.
O filho, jovem de vinte e cinco anos, partiu também. Um acidente trágico o levou para a outra margem da vida. Neno não viveu o bastante para ver o homem que queria ser. E por ter sido o menino que foi, fez coisas além do sonho que sonhou. Trazia consigo toda a infância no sorriso. Nada levou, deixou o que a vida tinha dado: o amor, a energia, a alegria de criança, uma adolescência cantada e brincada com a vó e primas, mas sabia guardar o poder da infância que passeava sorrindo dentro de seu peito de jovem.
E nós guardamos a certeza de que pai e filho estão juntos agora e que um vento suave sopra lentamente às suas costas abrindo novas estradas e o sol brilha morno  nas faces deles.
E até que nos encontremos outra vez, que DEUS lhes guarde na palma de sua mão!!!

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