Ontem, no Skipe, Ana Julia me perguntou o que eu ia fazer no carnaval. Respondi
que pretendo assistir a uma palestra de um psicólogo, grande amigo meu, de
Campina Grande e também assistir ao filme irmão Sol e irmã Lua (a vida de
Francisco de Assis) com um grupo de amigos e depois curtir um bom papo com
eles. Então, mais que depressa ela me respondeu:
-quem te viu e que te vê,,heim dona Rejis...vai passar o carnaval com os
seus amiguinhos do além... Rimos as risadas “aahahahahhh, rssss e kkkkk”
Foi então que minha memória voltou e fez uma ponte com o passado... Remexi
nos meus escritos e encontrei as memórias dos carnavais vividos na Bahia.
Que bom que guardei na palavra e
na lembrança o que vivi na quele bom
tempo! Tempo que podia dizer que na Bahia o carnaval era diferente. Que em
quatro dias a vida era diferente. A gente era diferente. A mortalha ou abadá
era a única moda válida pra homem, mulher, criança, rico, pobre. Todo mundo
sambando na avenida. Não havia luxo.
Havia povo brincando. Blocos colorindo a avenida, trio elétrico subindo
e descendo. Som de arrebentar os tímpanos, luzes piscando, girando. Povo
correndo atrás. Gente sambando nas calçadas, nas barracas, nas mesas, nas
sacadas. Tudo na cidade se transformava! A cidade era do povo. A única festa do
povo que conheci!
Na quarta feira de cinzas, como os baianos, também eu ficava com o corpo
doído, pés lanhados, cortados de cacos de garrafas, bexigas de água, roxos de
pisadas... Doíam mais com a nostalgia!!
Naquele carnaval me acabei na avenida, no salão. Corri atrás do trio
elétrico, larguei as sandálias na avenida. Me embebedei de cerveja, subi
ladeira debaixo de chuva, me perdi na
multidão, fui pisada, acotovelada, empurrei, pisei e acotovelei na alucinação
do trio elétrico.
À noite sambei descalça na chuva encharcada até os ossos, toró caindo e
a gente lá, todo mundo sambando. Era carnaval.
O samba não podia parar, a gente não podia parar até quando houvesse um
alento.
Depois olhava pros colares no chão, restos de estrelinhas de botar na
cara, a roupa imunda, fedida, meus pés feridos e me dava um nó na garganta.
Talvez isso nunca faça sentido pra quem nunca correu atrás de um trio
elétrico, nunca tenha sambado debaixo de chuva, descalça na avenida, mas Zezé
me sabia bem! Contava
pra ela que o samba enredo do bloco era feito e ensaiado em barracos forrados
de plástico preto de lona de caminhão.
Que nas paredes havia faixas de um tecido sujo dizendo qualquer coisa
assim; “pra vereador vote em Marcelo Leite”. Desenhos de frutas tão distantes
das mesas do povo. O surdo marcava o compasso. A gente ria uma alegria só
nossa. Éramos todos operários, conhecíamos oito horas de trabalho por dia. E se
a nossa comida era cada dia mais difícil de ser comprada, ainda restava a
cachaça que conseguíamos comprar e o samba que podíamos fazer porque nascia
espontâneo.
Todo mundo sabia bem o que era um crime e o que era uma festa!
Como se fazia um e outra. Era fácil dividir nosso copo com quem sorria pra
gente, como era fácil agredir quem atacava!
Gente conhecida enchia meu copo, ria do meu samba desajeitado. Me
ensinava a sambar direito.
Chegava em casa o dia rompendo o
cerco das nuvens e pintando de azul claro uma nesguinha de céu e eu dormia com os pés negros do lodo
já ressecado entrando na pele.
Pois é, a Bahia era um monte de coisas ao mesmo tempo.
Que bom que curti tudo e tanto assim!
Meus amigos queridos, que vcs tenham todos um belo tempo de carnaval. Sejam
muito felizes neste carnaval, porque ser feliz é fundamental!!!
Não sambei atrás de trio elétrico, mas lembro bem dos bons carnavais de salão. Os blocos empenhados em lindas fantasias, quase que uma escola de samba diminuta, loucos para ganhar o troféu na última noite. Cada um dos foliões enfeitados com seus sonhos. No salão, alegria excitada pela bebida, pelo lança-perfume, pela vontade de ser feliz. No palco, a banda tocava marchinhas, sambas de enredo, apenas músicas de carnaval. Em Maringá, hoje, o carnaval é quase um silêncio. Uma quarta feira de cinzas dividida em 5 dias.
ResponderExcluirVc tem razão,Mariza. Ficou faltando esta parte do carnaval! O carnaval de salão...
Excluirqueridas, eu tambem nunca segui ao vivo um trio eletrico....bem que tive vontade mas não me disponibilizei a ter essa experiencia que se bem me conheço, teria vivido muitas coisas do que vc Re, viveu...só nao garanto muitas cervejas pois a amiga daqui não curte muito....ui! desculpa ahi heim. Mas.....se ser feliz é fundamental, vou lá pra casa de bamba hoje curtir o Ronaldo e um barulhinho bom. mariza, levanta sacode a poeira e vamos sambar! ziriguidummmmm
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