Tantas vezes nesta vida li o livro “A Bolsa Amarela .”
Lygia Bojunga escreveu.
Eu li, reli e devorei.
Agora ele é meu. Eu reconto pra vc a parte da casa dos consertos.
A bolsa amarela era de Raquel. Era imensa! De pano e um bocado velha. Tinha muitos filhotinhos de bolsa escondidos em seu interior. Era lá que ela guardava suas vontades e seus segredos. Não havia fecho .Quando as vontades começavam a engordar lá dentro era um problema sério e merecia solução urgente.
Raquel descobriu, então, que no final da rua em que morava havia uma casa dos consertos. A casa se dividia em quatro partes. Na primeira tinha uma menina; na segunda havia um homem; na outra, uma mulher e na outra, um velho. A menina estava estudando, a mulher cozinhando, o homem consertando um relógio e o velho, uma panela.
A mulher cozinhava cantando baixinho. Volta e meia provava a comida e aí ficava com uma cara mais feliz ainda.
A menina estava fazendo um mapa do mundo. Caprichava nas cores e escrevia o nome das capitais nos países.
O homem botava o relógio no ouvido e ficava todo satisfeito com o tique taque.
E o velho soldava a panela de um jeito tão bom que ela iria durar o resto da vida sem estragar. Panela velha é que faz comida boa.
Havia milhões de coisas penduradas nas paredes: cadeira, rádio, roupa, bicicleta e por aí a fora!
Na parte dos fundos da casa de consertos só tinha livros. Era livro que não acabava mais. Raquel foi logo perguntando ao velho se a bolsa dela tinha conserto. Mas qdo ele ia responder, o relógio na parede começou a bater a hora e tocar uma música bem animada! Todos pararam o que estavam fazendo e foram pro meio da sala dançar e cantar. Raquel Tb foi dançar, errava tudo e todos riam , mas não era só dos erros que todos riam, era de tudo!
De repente, a música parou! Não era como uma música que ia ficando mais lenta no fim e mais baixinha. Todas as músicas vão ficando mais isso ou mais aquilo e a gente logo vê que ela está chegando ao fim. Mas a música do relógio parava de estalo. Sem nenhum aviso. Todos paravam de estalo bem junto com a música. Olhavam onde tinham parado. O homem tinha parado junto do fogão, o velho junto do mapa, a menina junto do guarda chuva e a mulher perto da panela e da solda. Nem olharam outra vez: o homem foi logo cozinhando, o avô abriu uns livros e começou a estudar, a mulher desatou a soldar a panela, a menina examinou o guarda chuva e a Raquel ficou parada querendo entender a gente daquela casa. A menina foi logo apresentando todos: o pai, a mãe e o avô.
As perguntas saíam aos montes da boca da Raquel:
- por que teu pai tá cozinhando agora e tua mãe tá soldando a panela?
A menina respondendo sem parar:
-porque ela hoje já cozinhou bastante e ele já consertou um bocado de coisas, eu também já estudei um monte e meu avô soldou muita panela: tá na hora de trocar tudo.
-por quê?
-Pra ninguém achar que tá fazendo uma coisa demais e pra ninguém achar também que o que está fazendo é menos legal que o outro.
Raquel achava esquisito o avô estudando sendo tão velho... Mas lá na casa de consertos o velho só era velho por fora. o pensamento dele tava sempre novo como o pensamento dos outros.
Raquel quis logo saber quem era o chefe da casa... Quem resolvia as coisas da casa como, por exemplo, o que cada um ia estudar...
Naquela casa, todo o dia tinha uma hora de resolver as coisas. Como fazer pra enfrentar o caso que a vizinha criou, se iam se divertir mais que trabalhar o que iam comer, qto iam gastar com comida, aí decidiam, todos juntos o que achavam melhor. E todo mundo podia achar! Lá criança também achava!
E por falar em achar, foi da bolsa amarela que achei a coragem de retirar dos meus bolsos as palavras lá guardadas. Nem sempre elas saem com a dosagem certa.
Às vezes nossas palavras são mais leves e se tornam únicas! Tão leves que o vento não consegue levar assim como um carinho amigo...
Esse bolso é pra vc!!!!!.
Boas lembranças!
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