Não podia existir melhor lugar pra comemorar os anos de vida dessa mulher!!!!!! Quem tinha
olhos de ver, esbarrou com “CIDO” que também festejava o grande encontro da família LOPES, tão bamba por natureza e por vontade! Mercedes, como sempre, chegou mais cedo na Casa de bamba.faceira,regateira, tão espanhola, tão de cabelo
nas ventas e tudo o mais! Toda emoção! Sem óculos foi logo chegando e
sentando bem lá no fundo, nesse dia não seguiu seu costume ; não passou revista nas tropas! Ficou lá sentada e toda
prosa! Claro que esperava uma noite muito especial pois estava ao lado do filho
que veio de MIAMI e que não fez como a Luiza,que mora no Canadá!
Quando chamada para dentro da roda de samba entrou logo dançando!
Mas naquela noite não era uma dança qqr! Era muito mais que a dança da vassoura
que tão bem conhecemos... Mercedes começou
sua dança passando pelos braços de seus seis filhos queridos... Um a um foram
revezando e abrindo passagem para novas emoções! Nesta ciranda
de emoções foram se achegando um a um,todos irmãos, filhos, netos, sobrinhos,
noras, genros, amigos, que carregando o coração
na mão, vieram ofertá-lo para Mercedita, mulher tão singular... Pensando bem ela
é tão singular e Tb tão plural!!!
Seus
olhos pulavam pelo ar como um passarinho de galho em galho , o abraço dela era
apertado como quê!
Na cara,no veludo escondido entre as rugas trazia também a
marca de uma vida vivida com força!
É claro
que como toda família, a de Mercedes também tem suas diferenças, no futebol, na
política e na religião. Há, contudo, um campo em que rola a mais perfeita
harmonia. É no mundo da música! Os festejos e comemorações sempre
têm um lugar específico para canto, dança e batuque. Todo mundo nessa casa sabe
fazer alguma coisa relacionada à música. Um mundo canta, outro mundo dança e
toca! Com uma família assim, posso
afirmar, com muito orgulho que fui feliz quando lá atrás sugeri, inspirada na música
de Martinho da Vila, “na nossa casa,
todo mundo é bamba”,a criação de um
espaço com o nome de CASA DE BAMBA,porque
na casa de bamba é assim.... Nada mais natural, portanto, que homenagear a dona
de oitenta e muitos anos com algumas canções que contam uma história tão
intensa:
Mercedes, a quinta filha de
Francisco Serveira Carpena e Tereza Del Cid Castanheda nasceu aos 22 de janeiro
de 1928, em Jaú-SP. Mas sua história começa
antes. Por isso, vamos retornar, volver à Espanha, terra de seus pais.
Quando Bruna, com a voz
carregada de emoção cantou “volver a los desessete “Mercedes viajou num tempo com
asas que a levou da Espanha até o interior de São Paulo, onde nasceu e até o
início da década de 50. Lá onde a sua juventude foi marcada por muito trabalho
e muitos bailes.
A família cantando “o baile da saudade”
num flashback ...trouxe os anos 50, Quando a família Serveira Delci deixando o
estado de São Paulo, veio fixar moradia no noroeste do Paraná (primeiro
Ourizona, depois Mandaguaçu). Essa mudança para uma terra em que havia tudo por
fazer foi dolorosa, motivo de muitas lágrimas. Amigos, namorados, baladas,
agora só existiam nas lembranças. Em Mandaguaçu, a jovem MERCEDES buscou afogar
suas mágoas na costura, em um quartinho de frente para a rua, no Hotel Central,
de propriedade da família. Em frente ao hotel, situado à Rua Bernardino Bogo,
havia um escritório de contabilidade, que tinha como um dos sócios um outro
paulista, de Presidente Prudente.
Aparecido também viera havia pouco para
a cidade, onde sonhava construir seu futuro. Não tardou a reparar na mocinha
loira, magra, de olhos azuis, filha do dono do hotel. Mas, havia um empecilho
ao namoro. Aparecido não tinha família na cidade, e não parecia ser muito
confiável, pois aos 24 anos já ostentava uma saliente barriga e uma calvície
bem pronunciada, o que fazia com que todos julgassem que ele já era casado. Mas,...
Mercedes não resistiu aos encantos do careca.
Casaram-se em 1954 e tiveram 6
filhos, três homens e três mulheres. Com toda essa filharada e o dinheiro
curto, a vida não era fácil. Os ofícios do marido se sucederam. Depois do
escritório, vieram: a fábrica de enxovais de batizado, o Bazar dos Presentes
(que viria a ser consumido pelo fogo), o cargo de confiança na Prefeitura
Municipal, que duraria 10 anos. As crianças cresciam e estudavam, enquanto o
casal trabalhava. Mercedes ajudava como podia: cuidava da casa, costurava,
cozinhava e lavava, lavava muita roupa...
Depois de 10 anos trabalhando na
Prefeitura, Aparecido foi aprovado para um concurso em um Tabelionato e
Registro Civil, no distrito de Iguatemi, para onde a família se transferiu.
A
situação estava um pouco melhor, mas as demandas da meninada eram grandes.
Mercedes concluiu que não bastava fazer economia (com empregada, com o pão e o
sabão feitos em casa, com os reaproveitamentos de roupas). Parecia urgente
ganhar seu próprio dinheiro, pra providenciar o enxoval das meninas, comprar
uma roupinha melhor, fazer alguma extravagância fora do orçamento. Considerava
que era necessário ajudar a trazer dinheiro pra dentro de casa.
Assim,
passou a comprar roupas usadas, que eram reformadas e vendidas; também fazia
viagens a Ibitinga, onde comprava roupas de cama e mesa e revendia às mocinhas
casadoiras do distrito. Chegou também a se aventurar no ramo de revenda de
automóveis!!! E olhem que ela não distinguia um Corcel de um Del Rey!!!
Essa mulher era impossível! Estava
sempre agitada, com alguma novidade. Se a irmã Angelina passasse pela casa e a
convidasse para uma viagem, ela não tinha dúvida: imediatamente, arrumava umas
roupas na mochila e viajava. Claro que, antes de sair, deixava um bilhete, mais
ou menos assim: “Fui pra Tupi. Volto sábado. Tem feijão e bife temperado na
geladeira. SE VIREM!”.
Certa vez, chegou ao cúmulo de
submeter-se a uma cirurgia do ouvido, sem comunicar ao marido e aos filhos, que
só ficaram sabendo quando a secretária da clínica telefonou para avisar que
tudo tinha corrido bem. Enfim, era uma mulher autônoma demais, independente
demais para sua época. Nunca foi de ouvir passivamente uma argumentação, sempre
retrucava. Que mulher danada Aparecido havia arrumado!
Depois que os 6 filhos se casaram, os
dois passaram a sair e se divertir mais. Contudo, as diferenças entre ambos
afloraram, e veio a separação... Aos sessenta e cinco anos, Mercedes viu que
era necessário começar de novo. Levantar, sacudir a poeira, dar a volta por
cima... com o passar do tempo, os dois se tornaram bons amigos,Cido tinha uma
namorada ,mas nunca morou com ela. Tentaram voltar algumas vezes, mas não deu
certo. Viajavam juntos,saíam pra dançar e pra jantar,essas coisas que
permanecem em famílias que constroem relações que vão além do tempo de vida
juntos. Ele ia à casa dela e ela ia à dele. No Natal, os filhos passavam a
meia-noite na casa dela e o dia seguinte no sítio dele. Ela virou palmeirense,
como ele. Em certos domingos, ela fazia pipoca e os dois ficavam juntos
assistindo aos jogos, na casa dela. Ele foi operado em novembro de 1998 e no
ano seguinte partiu para a outra margem da vida!
E eu que
estive prestando também a última homenagem, tive a grande emoçao de ver Cido
sentado na mureta junto à lápide, onde seu corpo repousaria... Lá estava ele, com
um jeito feliz, aplaudindo o chorinho
que Geraldinho do Cavaco oferecia com os
olhos marejados enquanto era preparada a caminhada para a outra vida! Cido estava feliz! Ele sabia que
a morte não o enganara, pois a vida ia além dela!
Estava escrito que a família aqui
na terra era sólida e que era hora de MERCEDES, com os filhos criados,
independência financeira, casa própria, podia fazer tudo o que não havia sido
possível fazer até então: associar-se a um clube, fazer uma cirurgia de
varizes, e viajar, andar por terra, céu e mar, dentro e fora do país.
Também era o momento de cantar
muito, para espantar todos os fantasmas. Foi assim que entrou para o coral
“Jovens de Ontem”, participou de festivais, subiu ao palco e cantou, soltou a
voz.
Era também hora de dançar.
Primeiro, tímida e discretamente, no SESC ou no Clube do Vovô. Mas quando o filho Helington
inaugurou sua “Casa de Bamba”, liberou geral! A menos que esteja adoentada,
marca presença toda sexta-feira e todo sábado. Afinal, diz ela, vou ficar em
casa fazendo o quê? Ela é uma espécie de madrinha da Casa de Bamba, querida por
todos os que freqüentam o bar e sonho de todos os que desejam viver muito,
viver bem, aprender sempre, ser feliz.
E eu que também sou da família, também vim do nordeste pra festejar a
MERCEDITA!!!
Parceria com Sonia Benites, Amiga/irmã
Vou postar fotos!
ResponderExcluirParabéns a Senhora Mercedes que foi homenageada com tanto carinho das pessoas que a amam
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